“DANTE NEGRO”: A DIVINA COMÉDIA, SEGUNDO CRUZ E SOUSA

Júlio Cezar Bastoni da Silva

Resumo


O artigo procura apresentar algumas ressonâncias de motivos poéticos dantescos apropriados pela poesia de Cruz e Sousa, poeta simbolista brasileiro. Afora as menções relativamente frequentes ao poeta florentino, há certos elementos que, presentes na obra souseana, por meio de citações ou alusões, perfazem uma leitura da obra dantesca refundida por essa poesia situada no limiar da poética moderna no Brasil. Além de um levantamento sobre o assunto, o artigo analisa tais motivos e seu sentido na poesia de Cruz e Sousa, indicando possíveis caminhos para a compreensão da recepção de Dante no Brasil oitocentista, especialmente considerando certo caráter de uma mística secularizada, de rigor na poesia simbolista, cujas fontes estão, entre outros autores do século XIX, na filosofia de Arthur Schopenhauer e sua leitura da Divina Comédia.


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