QUE DIZEM AS CANTIGAS DE ESCÁRNIO E MALDIZER GALEGO-PORTUGUESAS SOBRE NEGR-? DESAFIOS PARA A HISTÓRIA DE UMA PALAVRA

Arivaldo de Souza Sacramento

Resumo


As controvérsias em torno da palavra “negr-” decorrem de um sofisticado apagamento da história de diversas populações que tiveram suas configurações culturais desvalorizadas a partir da diferença hegemônica ocidental, europeia. Desse modo, contar a história da palavra “negr-” é também compreender quais relações históricas e sociais foram significadas a partir desse item lexical. Nesta proposta, analisaremos o corpus satírico galego-português editado criticamente por Graça Videira Lopes (principalmente porque podemos ler tanto as propostas de texto crítico à Lachmann, quanto os fac-símiles dos cancioneiros que transmitiram as cantigas), para compreender quais lições podem ser tomadas acerca dos usos de “negr-”. Muito embora esses textos tenham circulado no noroeste peninsular ibérico na Idade Média (central), os testemunhos que compõem a tradição são produções posteriores, o que pode ter promovido inoculações dos saberes “modernos” nas experiências de cópia. Isso posto, parece-nos importante acionar as estratégias metodológicas da filologia e da história da língua. Longe de pretender definir o real significado da palavra em questão, pretendemos entender quais matizes e que possibilidades de mundo são forjadas no campo satírico na tradição. Talvez isso sirva para que repensemos o teor conversador do discurso literário satírico dirigido àqueles que, destituídos de sua complexidade subjetiva, bordaram as galhofas de um passado – não recente, mas discursivamente presente.


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Signum Revista da ABREM (ISSN 2177-7306) - Associação Brasileira de Estudos Medievais