O JULGAMENTO DE WALTER BRUT: DA APOLOGIA HERÉTICA DAS MULHERES À NORMATIVIDADE MISÓGINA DA IGREJA

Pedro Carlos Louzada Fonseca

Resumo


Este estudo analisa passagens da documentação do julgamento de Walter Brut indiciado por heresia discutida e interpretada à luz da normatividade da doutrina teológica da época. Esse conceito de regulação jurídica corresponde à existência de práticas multinormativas, principalmente em sociedades de complexa e dinâmica disputa de poder como a medieval. Entretanto, em se tratando de relações de gênero, a busca da radicalidade ortodoxa parece ser o curso mentalidade da Idade Média. Com base nesses pressupostos, o estudo examina, como marco fundamental dessa situação cultural relativa à questão de gênero no final da Idade Média, a relação entre heresia, apologia das mulheres e misoginia exemplificada no polêmico Tratado (1391) sobre o julgamento de Brut, considerado herético por se servir das competências femininas e da defesa dos seus direitos públicos e religiosos, como prática transgressora do cânone religioso misógino prescrito para o controle e a dominação das mulheres.

Texto completo:

PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Signum Revista da ABREM (ISSN 2177-7306) - Associação Brasileira de Estudos Medievais