Gil Vicente e o drama litúrgico natalino: algumas considerações

Maria do Amparo Tavares Maleval

Resumo


Sabe-se que, na Europa medieval, o teatro deu os seus primeiros passos ligado aos ofícios religiosos. O drama litúrgico então surgido compreendia a peça Visitatio sepulchri – visitação do sepulcro pelas santas mulheres −, representada nas matinas do domingo de Páscoa, e a Visitatio praesepe, que, ligada às comemorações natalinas, se desdobraria em Officium pastorum e Ordo Stellae – isto é, na visitação dos pastores e dos Reis Magos ao presépio em que se encontrava o Messias recém-nado, estes últimos concernentes aos festejos da Epifania à volta do 6 de janeiro. Também ao ciclo natalino pertencia o Ordo Prophetarum, constituído pelo desfile de profetas, bíblicos e pagãos, que anunciaram a encarnação do Messias, seguido pelo Canto da Sibila, contendo as profecias da sibila Eritreia sobre a segunda vinda de Cristo e o Juízo Final.

Gil Vicente, em seus “autos de devoção”, elaborou principalmente peças para o Natal, que perfazem mais da metade de suas obras devocionais, nelas retomando a tradição de forma inovadora. Vamos por ora nos ater ao exame dos seus três primeiros autos natalinos – Pastoril Castelhano, Reis Magos e Sebila Cassandra −, observando-lhes algumas particularidades, que fazem do dramaturgo português único dentre os seus coevos ibéricos.

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Signum Revista da ABREM (ISSN 2177-7306) - Associação Brasileira de Estudos Medievais