Auto da Barca do Inferno: a oração como critério salvífico

Adriano Portela dos Santos, Márcio Muniz

Resumo


Gil Vicente estruturou vários de seus textos teatrais a partir de elementos do Cristianismo, como a devoção a Maria e aos santos, as festas do calendário litúrgico e também a oração, ato de piedade da espiritualidade cristã. Entre os textos teatrais de Vicente que seguem essa dinâmica está o Auto da Barca do Inferno, que, junto com os dois outros autos de semelhança temática, Purgatório e Glória, serve-se dos cinco elementos da “doutrina dos novíssimos”, isto é: a morte (1), o juízo (2), o purgatório (3), o inferno (4) e o céu (5). Ao fazer isso, Gil Vicente postula uma teologia, que é transmitida obviamente aos espectadores de sua dramaturgia. Analisamos nesse artigo como o dramaturgo português trata a oração, prática de espiritualidade, no Auto da Barca do Inferno. A nossa hipótese é que ele estabelece a oração como critério salvífico, quer dizer, a oração é um elemento a ser considerado no juízo pelo qual passamos diante de Deus. Desse modo, evidenciamos a discussão que é proposta pelo autor nos diálogos do Fidalgo, do Sapateiro e do Frade, com o Diabo, condutor da barca do Inferno. Ambas as personagens lançam mão da oração sua ou de outrem como argumento para merecerem acessar à barca da Glória e não a do Inferno.


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Signum Revista da ABREM (ISSN 2177-7306) - Associação Brasileira de Estudos Medievais