ENTRE NECESSIDADE E DESCONFIANÇA: OS EMBAIXADORES DA ITÁLIA COMUNAL ATRAVÉS DOS ESTATUTOS URBANOS (SÉC. XII – XIV)

Patrick Gilli

Resumo


Este artigo investiga a difícil trajetória que as comunas italianas (séculos XII-XIV) percorreram a fim de consolidar uma necessária política diplomática que fizesse jus à sua organização governamental policêntrica e mal hierarquizada. Pelo estudo dos estatutos municipais, mostraremos que emprego de embaixadores e a formação de uma diplomacia comunal trouxeram problemas para o funcionamento administrativo das cidades que logo notaram que as embaixadas, dispendiosas e arriscadas, eram, no entanto, um mal necessário, já que as comunas precisaram fazer-se representar nos espaços políticos exteriores às próprias cidades. Os problemas diziam respeito à natureza da potestas publica das comunas, ao alcance das missões diplomáticas (assuntos políticos ou comerciais?), ao estatuto político do embaixador (pessoa pública ou privada?), à representatividade da função (a quem representa o embaixador?), aos mecanismos de sua escolha, às prerrogativas desta escolha, aos custos de pagamento pelos serviços, aos limites de sua jurisdição, etc. A diplomacia comunal aparece sob estrito controle dos órgãos públicos uma vez que os núcleos dirigentes da comuna, disputando entre si zonas de influência, pretendiam impedir que os profissionais diplomáticos ascendessem no espaço urbano, eclipsando a sua própria autoridade.

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DOI: https://doi.org/10.21572/2177-7306.2014.v15.n2.02

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Signum Revista da ABREM (ISSN 2177-7306) - Associação Brasileira de Estudos Medievais